XVI ENAPET – Goiânia/GO 2011
ñ Primeiro dia (12/07):
Cheguei no evento por volta das 17h juntamente com o Rodrigo Azambuja (PET Sociais). Demorei cerca de 1h para fazer o credenciamento devido ao grande número de pessoas. Neste meio tempo encontrei colegas do PET Ciências Humanas, Sociais, Psicologia e Políticas Públicas de Juventude.
Com isso, só pude assistir o final da última mesa redonda: “avaliação do PET segundo critérios da SESu”. A fala do representante da Secretaria de Ensino Superior – Lucas Maciel – girou em torno da defesa do união do programa Conexões de Saberes com o PET, bem como as ações afirmativas, e que ambas as modalidades de ensino tutorial deveriam ser avaliadas de forma idêntica.
Já o representante de tutores – Emanuel Woiski – falou sobre a importância da capacitação do Comitê Local de Acompanhamento (CLA) e que este volte a ter a sua função avaliativa (CLAA) e não apenas de acompanhamento. Porém, a capacitação do CLA e os critérios de avaliação dos PET´s deveriam ser estipulados pela SESu. Criticou a “relativização” do PET, pois isso poderia fragmentar e enfraquecer o programa.
O coordenador da mesa (Romualdo Pessoa Filho), ao contrário de Lucas Maciel, reiterou as diferenças entre o PET e o Conexões de Saberes e que ambos deveriam ser avaliados de forma distintas pela SESu – fala que gerou aplausos.
Por fim, houve uma fala de um tutor que estava na plateia que defendeu que tutores não deveriam monitorar e muito menos avaliar outros grupos e que esta tarefa deveria ficar a cargo de “externos” (IES e/ou MEC).
ñ Segundo dia (13/07)
O segundo dia começou com a mesa redonda intitulada “conexões de saberes e PET tradicional”. Jailson de Souza e Silva, um dos fundadores do Observatório de Favelas e do programa Conexões de Saberes na Universidade Federal Fluminense, fez uma fala brilhante interligando a sua trajetória pessoal (oriundo de favela sendo o primeiro de sua família a ingressar na universidade pública) com a criação e importância do programa Conexões de Saberes. Mencionou algumas perdas que o programa Conexões de Saberes sofreu com a união com o PET como um possível questionamento estrutural da universidade pública, já que os estudantes ficariam muito diluídos em pequenos grupos no formato PET, além da perda do financiamento somente para a formação e capacitação do estudante.
Após, Álvaro Ayala (UFPEL), representante da Comissão Executiva Nacional do PET (CENAPET), falou sobre a origem do PET em 1979, onde era chamado de Programa Especial de Treinamento, até as suas transformações até chegar no formato de Programa de Educação Tutorial, passando pela quase extinção do programa nos anos 90. Destacou algumas possíveis perdas do PET com a união com o Conexões como a desvinculação dos grupos com os cursos de graduação, algo que descaracterizaria o programa, além dos novos PET´s interdisciplinares estarem excessivamente ligado aos tutores.
Creio que após esta mesa redonda houve um entendimento majoritário que a união dos dois programas foi algo benéfico para ambos, embora a maneira que isto se deu – através de portarias – não tenha sido a forma mais adequada. Além disso, percebi que o PET Conexões é visto como uma nova modalidade com algumas especificidades especiais dentro do programa de educação tutorial . Contudo, não há unanimidade no que diz respeito a como estas especificidades devem ser compreendidas e geridas.
Durante a tarde houve o encontro de bolsista e colaboradores. Aconteceram várias coisas curiosas nesse encontro: o auditório acomodava apenas um pouco mais da metade dos alunos inscritos no ENAPET. Dessa forma, muito petianos ficaram de fora devido a falta de espaço físico. Outro fato estranho foi o encontro entre os petianos ser antes dos grupos de trabalho – os GT´s seriam na tarde do dia seguinte. Dessa forma, muitas coisas que eram propostas e discutidas, a mesa dizia que seriam tratadas nos GT´s. Aliás, a mesa não foi em nenhum momento imparcial. Ela era composta por membros discentes da CENAPET e se posicionava durante os encaminhamentos e discussões, algo que ao meu ver é inaceitável. Assim, o encontro dos bolsistas não gerou muitos encaminhamentos para a assembleia geral.
ñ Terceiro dia (14/07)
Foi o dia dos grupos de trabalho. Participei do GT intitulado “relação entre PET tradicional e PET Conexões: funcionamento, dificuldades e inclusão”. Foi falado exaustivamente sobre as semelhanças e especificidades entre as modalidades. Foi decidido encaminhar para a assembleia geral a criação de um grupo representado pelas duas modalidades a fim de analisar as dificuldades e necessidades para que ambos os grupos possam melhor trabalhar integrados.
ñ Quarto dia (15/07)
A assembleia geral iniciou com mais de duas horas de atraso (por volta das 10h15). Não foi mencionado nenhum motivo para tamanha demora. Fora que na noite anterior acorreu a festa oficial do evento e com isso muitos petianos estavam literalmente dormindo durante a assembleia. Achei estranho a festa ter sido programada para a véspera da assembleia, já que pela minha experiência de encontros, a festa sempre ocorre no primeiro dia a fim de fomentar a integração.
Vale acrescentar a belíssima apresentação cultural indígena, composta por alunos indígenas da UFG, sendo três deles petianos.
Não me deterei na discussão de cada ponto. Apenas mencionarei aquilo que foi aprovado durante a assembleia para ser encaminhado a CENAPET:
- Rotatividade de tutores: o cada três anos o tutor atual pode renovar por igual período. Após seis anos será aberto um edital onde todos os candidatos a tutores podem participar – inclusive o tutor antigo – e caberá ao CLA decidir qual o melhor candidato. Não foi especificado quais o critérios serão analisado pelo CLA para tal decisão;
- Criação de um grupo de trabalho para realizar um estudo sobre um possível aumento das bolsas e do valor do custeio para ser levado a CENAPET. Grupo aberto a bolsistas, tutores e colaboradores;
- Criação de um grupo de trabalho nos eventos regionais e nacional para tratar sobre os PET´s não financiados pelo MEC;
- Incentivo à flexibilidade e à criatividade durante a apresentação de trabalhos nos próximos eventos regionais e nacional;
- Que haja um crescimento livre dos grupos a partir de suas necessidades e não mais o modelo “4+4+4”;
- O bolsista não será obrigatoriamente afastado de sua bolsa caso não seja aprovado em duas disciplinas ou mais. O coeficiente de rendimento será o fator decisivo de avaliação do petiano.
- Necessidade de um Seminário Nacional de Avaliação ainda este ano;
- Que o Comitê Local de Acompanhamento (CLA) volte a ter o seu caráter avaliativo (CLAA);
- Que o valor referente ao custeio se transformasse numa bolsa paga diretamente aos tutores e que a prestação de contas ficasse por conta do CLA;
- Criação de um grupo de trabalho aberto a fim de analisar as dificuldades, necessidades, semelhanças e especificidades das duas modalidades do PET – tradicional e Conexões - para que ambos os grupos possam melhor trabalhar integrados. Composição:
ñ SESu: 2 representantes
ñ Fórum de pro-reitores de graduação: 1 representante
ñ Fórum de pro-reitores de extensão: 1 representante
ñ CENAPET: 3 representantes
ñ Executiva nacional do Conexões: 3 representantes
ñ Tutores: 2 representantes (Frank/Unipampa e Agnaldo/UFMS)
ñ Discentes: 2 representantes (Olinda/PET Hist. UNESP e Eveline/PET Conex UFPA)
Devido a falta de organização e a surpreendente falta de sistemática da mesa – que teve de ser trocada após muitas reclamações – o restante dos encaminhamentos não puderam ser votados. Apenas os encaminhamentos gerados por dois GT´s foram deliberados. Os outros seis não houve tempo. O restante dos encaminhamentos estarão disponíveis do portal da CENAPET apenas para análise e serão resgatados nos próximos eventos regionais e nacional.
Por fim, o XVII ENAPET será realizado em São Luís/MA em 2012.